Solicitude.
A senhorita K. é, como seria possível supor, enfermeira e assume turnos mais longos porque sente-se naturalmente mais disposta e disponível que os colegas.
A senhorita K. cuida atualmente de três pacientes em condições muito diferentes: A., uma mulher de meia idade em coma; E.(!), um senhor operado do coração; e I., um rapaz acometido por um câncer no fígado em estágio avançado.
A senhorita K. ouve as histórias dos pacientes com a solicitude de uma parente próxima. Sabe da mulher pelo marido; conhece todas as preocupações e remorsos do cardíaco e consola as lamúrias do rapaz.
A senhorita K., sabemos, tem todos os horários, todas as prescrições e todos os cuidados necessários a cada paciente anotados e disponíveis na mente, nada, portanto, escapa à diligência com que trabalha.
A senhorita K., depois de ontem, sente-se transbordando, mas não sente que precisaria contar o que sente, inclusive porque não sabe, ela própria, que sente o que sente. Por isso, o narrador, insinua por ela o que ela sente.
Fotografia: © Blixxa Artworx

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