domingo, 23 de dezembro de 2018

Atrevimento.

J. sou eu e esperei uma semana para voltar a aparecer nesta história. Sou paciente por convicção e tímido por natureza, mas sinto que tenho um papel a desempenhar no enredo, por isso tomo a palavra. O senhor N. que me perdoe.
J. é meu nome, meu prenome é T., isso não muda nada, mas me dá a sensação de maior familiaridade com quem preciso estar próximo agora para tornar minha história um pouco mais simpática e mais verossímil.
J. vem da pior parte da minha família, mas isso não me afeta mais do que o necessário para saberem que tenho uma boa parte de mim mesmo que combato, tanto quanto desprezo esse ramo de que sou decorrência.
J., o mais longínquo que lembro dos meus antepassados, era proprietário rural, o que quer dizer que não vivia tão mal quanto no resto do país. A terra é, portanto, um dos apelos mais imediatos quando ouço esse J.
J. representa para mim um desafio, ao mesmo tempo que uma cicatriz. Se tenho de insistir porque sou muitas vezes inábil, devo isso a J., mas prossigo porque, suspeito, ainda alimento alguma simpatia por T.
Fotografia: © Stephan Wolf

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