Incumbência.
W. não quis falar por si próprio porque confessou-me que estava bem representado pelas palavras de N. Por isso, deixou-me a incumbência de dar continuidade à história. Ele foi generoso comigo.
W. era de fato ocupado, mas, já percebemos, desocupado de si. E teve grande empenho, inclusive material, de tornar essa uma lei de reconhecimento do êxito geral. Todos à volta dele o admiravam pelo que tinha se tornado.
W. esteve hesitando entre permitir-se voltar à lembrança de J. e seguir adiante com os afazeres dos negócios que gere. Insinuava-se, pela porta trancada da sensibilidade dele, um estranho afeto.
W. adquiriu (verbo ignóbil), como investimento, uma área comercial até então distante do campo de interesse imediato dele, um hospital. Participa também do capital que mantém um jornal e uma editora.
W. teve vontade de encontrar paz, por isso mergulhou fundo nas contas, nos números e nas cifras, arrancou algum sossego da frieza estática da matéria contábil e dos poderes encantatórios das finanças.
Fotografia: Jovan Dezort.

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