terça-feira, 25 de dezembro de 2018



Acaso.


J. (vou me referir a mim mesmo na terceira pessoa) gostaria de ser outra pessoa, como ficou sugerido pelo que ele disse (ou melhor, pelo que eu disse) sobre a origem que o determina.

J. está agora esperando o momento de descer para jantar, antes de sair para o costumeiro passeio noturno pela cidade. A cada dia, sem ser rigoroso, escolhe um lugar para descobrir ou redescobrir ou apenas lembrar-se.

J. adotou esse costume depois de identificar-se com o personagem de um  dos muitos romances que lê em busca de desviar-se de quem é, um tipo de fuga programada, mas sem resultados efetivos.

J. comeu pouco, vestiu-se e saiu. Uma vez na região escolhida, procurou ler o lugar pelas ruas, pelas fachadas, imaginou que tipo de pessoas transitariam por ali e quis ser uma delas.

J. andou por mais de uma hora, quando decidiu tomar um outro ônibus desconhecido e, no ponto seguinte, viu entrar um rosto conhecido que veio sentar-se ao lado dele.


Fotografia: Gerard Castello-Lopez


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