Ritos.
O senhor W. viu a manhã de um sábado duradouro irromper nos horizontes daqueles dias. Nem lembrava mais a gasta ideia de uma longa viagem
que alimentou fazer.
O senhor W. estava instalado na mudança quando voltou-se para
o espelho interior. Ele próprio era o percurso de onde não se deu conta da
partida, senão depois de sentir-se em plena travessia.
O senhor W. jamais subscreveria essas ideias, mesmo quando
jovem esteve à beira do abissal jogo do amor. Rugia em algum lugar dentro dele
um temor de gostar demais da metafísica dos labirintos, por isso negava-se a
deriva.
O senhor W., no entanto, passou por todas as etapas da ilusão
de ter-se sob controle. Gasoso, líquido e evanescente, às vezes simultaneamente,
outras combinadas, raramente exclusivas.
O senhor W. viu cumprirem-se os ritos sacramentais do próprio
casamento convencido de que cumpria um dever existencial tão imprescindível
quanto a garantia das posses que alimentava e praticava desde cedo.

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