Constituição.
A senhorita K., na juventude, cismava o que não devia e
ensinou ao tempo dela uma coleção de glórias à maneira de cronistas cujo
empenho e caligrafia, respectivamente, jamais finda e sempre melhora.
A senhorita K., no carnaval de mistérios involuntários, arrematou
o lirismo lhano no sutilíssimo leilão da infância. A delícia do protocolo foi a
esperança de que prescindiria de um campo aberto de possibilidades.
A senhorita K. foi murmúrio, vento e jade; canto silente, fé
festiva e alma espraiada. A senhorita K. alimentou um sol sem brilho, mas
ofuscante na obscuridade, esteve entre escultura e música como sugestão.
A senhorita K. extraiu comoventes e ingênuas filosofias da
natureza lendo a si mesma como fábula. O orvalho como ética da fluidez, as
águas dos rios como estética da persistência e o solo como política da
acolhida.
A senhorita K., no entanto, careceu, para a iminência daquela
circunstância imediata de uma lógica menos pétrea, menos mineral, mas contrapunha
com a arte de ser quem começava a se tornar, adensamento e beleza.
Fotografia: © Blixxa Artworx

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