terça-feira, 1 de janeiro de 2019

Constituição.


A senhorita K., na juventude, cismava o que não devia e ensinou ao tempo dela uma coleção de glórias à maneira de cronistas cujo empenho e caligrafia, respectivamente, jamais finda e sempre melhora.

A senhorita K., no carnaval de mistérios involuntários, arrematou o lirismo lhano no sutilíssimo leilão da infância. A delícia do protocolo foi a esperança de que prescindiria de um campo aberto de possibilidades.

A senhorita K. foi murmúrio, vento e jade; canto silente, fé festiva e alma espraiada. A senhorita K. alimentou um sol sem brilho, mas ofuscante na obscuridade, esteve entre escultura e música como sugestão.

A senhorita K. extraiu comoventes e ingênuas filosofias da natureza lendo a si mesma como fábula. O orvalho como ética da fluidez, as águas dos rios como estética da persistência e o solo como política da acolhida.

A senhorita K., no entanto, careceu, para a iminência daquela circunstância imediata de uma lógica menos pétrea, menos mineral, mas contrapunha com a arte de ser quem começava a se tornar, adensamento e beleza. 

Fotografia: © Blixxa Artworx 



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