domingo, 3 de fevereiro de 2019

Proximidade.


A senhorita K. colheu com mãos de calígrafa o sentimento de satisfação que surgiu na soleira do espírito dela. A alegria e o encanto floresceram no jardim do coração sem esperar por estação mais propícia.

A senhorita K. cumpriu a travessia daquele momento embalada pela ternura vertida em suaves movimentos ao ritmo de um corpo que começava a se renovar e sentia isso. Um inesperado ar renovou nela vigor e alento.

A senhorita K. sentia as palpitações das palavras que seria capaz de dizer e de ouvir, mesmo que se mantivesse em incômodo silêncio. Pela quietude recíproca, ela apostaria que o mesmo se passava com J.

A senhorita K. juraria distinguir até o odor da transpiração amena do homem ao lado dela, compunha uma variedade de hipóteses para ter motivos para dirigir-se a ele.

A senhorita K. foi coagida pela inércia do receio, a se levantar, acionar o sinal de solicitação de parada e descer do ônibus sem sequer ter podido levantar o olhar no momento em J. procurou os olhos dela.


Fotografia: Anton Giulio Bragaglia.


Nenhum comentário:

Postar um comentário