Proximidade.
A senhorita K. colheu com mãos de calígrafa o sentimento de satisfação
que surgiu na soleira do espírito dela. A alegria e o encanto floresceram no
jardim do coração sem esperar por estação mais propícia.
A senhorita K. cumpriu a travessia daquele momento embalada
pela ternura vertida em suaves movimentos ao ritmo de um corpo que começava a
se renovar e sentia isso. Um inesperado ar renovou nela vigor e alento.
A senhorita K. sentia as palpitações das palavras que seria
capaz de dizer e de ouvir, mesmo que se mantivesse em incômodo silêncio. Pela
quietude recíproca, ela apostaria que o mesmo se passava com J.
A senhorita K. juraria distinguir até o odor da transpiração
amena do homem ao lado dela, compunha uma variedade de hipóteses para ter
motivos para dirigir-se a ele.
A senhorita K. foi coagida pela inércia do receio, a se
levantar, acionar o sinal de solicitação de parada e descer do ônibus sem
sequer ter podido levantar o olhar no momento em J. procurou os olhos dela.
Fotografia: Anton Giulio Bragaglia.

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