Aprendiz.
N. ou E., até onde eu iria se pudesse sair agora deste
hospital? Ou talvez eu deva antes me perguntar para onde, em que sentido
caminharia? Meus passos me ensinariam o melhor caminho?
N. ou E., esse pôr-do-sol me faz traz sossego, mesmo sob a
dúvida e essa falta que se tornou o passado do qual não me lembro. Eu talvez
descubra se experimentar o mundo de novo.
N. ou E., pelo menos sobrou essa fração que são meus nomes.
Como esse resíduo de luz, hesitante vermelho alaranjado que tinge o pedaço de
mundo para o qual olho a partir dessa sacada.
N. ou E., sei ou sinto que tampouco aquele passante ali em
baixo poderia dizer de si mesmo muito mais do que alguns lamentos, outros
ressentimentos, poucas alegrias e muitas dúvidas.
N. ou E., talvez eu possa contar uma história mesmo sem
lembrar do passado, talvez mesmo porque não estou particularmente preocupado
com meu destino mais do que recuperar-me dessa cirurgia.
N. ou E., gostaria tomar o mesmo ônibus que aquela moça acaba
de tomar. E sei que ao entrar, quando for minha vez, estarei pronto para
inventar uma história pelos fragmentos das vidas alheias que observarei.
Fotografia: Rodney Smith

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