Territórios.
N., sei de mim que não sei sobre minha própria história, mas
a tenho, em algum lugar, e está como que empacotada e à deriva no tumulto que
se tornaram meus pensamentos. Resta-me esse fiapo de ordenamento pelas
palavras.
E., esse prenome parece tão postiço quanto meu rosto no
espelho. Ele nada comanda, porque nada parece a mim querer dizer. Não passa de
um rótulo em um frasco lacrado cheio de dúvidas e ideias circulares.
N., doem-me mais as amarras desse confinamento do que meu
corpo marcado pelas rupturas da antiga conformação. Sou refém de mim mesmo,
trancado nesta penumbra que me separa do futuro imediato, lá fora.
E., decido agora partir, fugir. Há no fim deste corredor uma
porta para as escadas de incêndio. Ah, esse ar fresco me parece familiar e
particularmente bom. O caminho já me mostra mais do que os fios de sutura
poderiam.
N., então este é o lugar de onde, parece, saí para entrar no
hospital? Esta foi a moldura das minhas insuficiências, inclusive as cardíacas?
Este também será, a partir de agora, o território no qual reinventarei uma existência
menos anônima.
Fotografia: Bedrich Grunzweig

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