first life
Alguns internautas old
school referiam-se ao tempo em que se ficava na internet como sendo uma “second
life” (a partir do nome de um jogo virtual). Vaticínio que rapidamente avançou
para uma “first life”.
A “second” é agora o
restante do tempo, comprimido entre espera e sonambulismo, às vezes depressivos,
às vezes de ansiedade, outras vezes ambos simultaneamente, de voltar à “first”.
Uma verdadeira adicção contemporânea.
Fala-se também (aprendi
recentemente com um amigo) que estar conectado à internet é estar “onlife”. Ou
seja, offlife é um tipo de morte virtual, depois, claro, de ser (quase) morte
de fato para os adictos.
Esse cenário de fantasia
sinistra se completa com a ideia bastante disseminada de que o que não está no
google não existe. Essa fé faz legiões entre pessoas para as quais a palavra
pesquisa não passa de uma má tradução para search.
Nesse ritmo e com esse
horizonte, a ideia de vida social se reduz a um permanente jogo entre avatares
virtuais, e a ideia de tempo é constrangida à eficiência ou fracasso entre um comando e o
efeito que produz no jogo.

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