terça-feira, 13 de novembro de 2018

first life

Alguns internautas old school referiam-se ao tempo em que se ficava na internet como sendo uma “second life” (a partir do nome de um jogo virtual). Vaticínio que rapidamente avançou para uma “first life”.

A “second” é agora o restante do tempo, comprimido entre espera e sonambulismo, às vezes depressivos, às vezes de ansiedade, outras vezes ambos simultaneamente, de voltar à “first”. Uma verdadeira adicção contemporânea. 

Fala-se também (aprendi recentemente com um amigo) que estar conectado à internet é estar “onlife”. Ou seja, offlife é um tipo de morte virtual, depois, claro, de ser (quase) morte de fato para os adictos.

Esse cenário de fantasia sinistra se completa com a ideia bastante disseminada de que o que não está no google não existe. Essa fé faz legiões entre pessoas para as quais a palavra pesquisa não passa de uma má tradução para search.


Nesse ritmo e com esse horizonte, a ideia de vida social se reduz a um permanente jogo entre avatares virtuais, e a ideia de tempo é constrangida à  eficiência ou fracasso entre um comando e o efeito que produz no jogo.

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